Seminário nacional reuniu profissionais para debater o papel da Psicologia na Amazônia - 09/04/2018 00:20:12

“O alcoolismo cresce cada vez mais nas etnias que tem esses impactos de grandes projetos. Os suicídios não diminuíram. Porque entrou álcool na aldeia”, declarou a biomédica Putira Sacuena, na tarde desta sexta, 6, último dia da etapa Norte do IX Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas. Realizado pela primeira vez Belém, o seminário contou, durante dois dias, com palestras, mesas redondas e rodas de conversa e resistência, que reuniram cerca de 450 estudantes e profissionais da Psicologia, pedagogia, sociologia e áreas afins.

A palestra da tarde de sexta, realizada no Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará, teve como temas impactos ambientais, direitos humanos e suas implicações na atuação do psicólogo. “Hoje, a gente sabe que esses grandes projetos, para nós, são a maior tragédia aos povos indígenas”, completou Putira, que também faz mestrado em antropologia e é indígena do povo Baré, do estado do Amazonas. Os debates destes dois dias materializaram o objetivo do seminário: discutir a conjuntura nacional e como a Psicologia e a atuação do psicólogo estão inseridas na região amazônica.

Durante a palestra “Psicologia e Políticas Públicas”, que debatia o tema do seminário, a psicóloga Isabel Fernandes, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), indagou sobre “a função do psicólogo em um cenário de um milhão de pessoas subnutridas no Brasil”. Para ela, a avaliação sobre a atuação do psicólogo não pode estar desvinculada da conjuntura nacional. “Não podemos deixar de considerar, principalmente, o cenário político atual, sobretudo após a noite de ontem [negação do habeas corpus do ex-presidente Lula].”

Um dos eixos centrais do seminário, a atuação do psicólogo na realidade amazônica e em comunidades tradicionais também foi debatido por Nita Tuxá, psicóloga e mestranda em antropologia social na Universidade Federal de Roraima (UFRN). “Precisamos contribuir para a construção da política de saúde mental indígena e permitir a indigenização da psicologia. Quando o indígena fala sobre isso, ele começa a trazer a psicologia pra si, a se apropriar”, declarou Tuxá, que pertence ao povo Tuxá, da Bahia. “É preciso transpor o modelo biomédico e reconhecer a medicina indígena, assim como reconhecer a tecnologia indígena.”

AVALIAÇÃO

Ao final da programação desta sexta, a conselheira Jureuda Duarte, do Conselho Federal de Psicologia, que também participou da organização do evento, avaliou o seminário como uma forma de “reunir profissionais que querem discutir a Amazônia e os processos de psicologia para além da psicologia”. Para ela, o intercâmbio entre os estados da região Norte “possibilitou o contato entre psicólogos de diversas áreas”, debatendo o “atual cenário de desmonte de direitos que haviam sido construídos desde a constituição de 1988.”

AGENDA
DO CONSELHO


Roda de conversa "Um olhar sobre a interdisciplinaridade no Creas"
03/03/2018
O evento é gratuito e aberto a quem tem interesse pelo tema.

Reunião "Ano da formação em Psicologia: propostas para as novas diretrizes curriculares da graduação em Psicologia"
28/02/2018
A reunião é gratuita e aberta.

Roda de Conversa "Fevereiro de todas as cores. Saúde mental de todos os dias"
16/02/2018
Estão abertas as inscrições para a Roda de Conversa "Fevereiro de todas as cores. Saúde mental de todos os dias", que será realizada no dia 16 de fevereiro, das 9h às 12h, na Escola de Administração Penitenciária, em Belém.