NOTA DE ORIENTAÇÃO - 30/03/2020 00:04:13

NOTA DE ORIENTAÇÃO
 
RECOMENDAÇÕES     SOBRE     O     ATENDIMENTO     PSICOLÓGICO     A
DEMANDA INFANTIL E DE REABILITAÇÃO NEUROLÓGICA PERANTE O
SURTO DO VÍRUS COVID-19
 
 
A Presidenta do Conselho Regional de Psicologia da 10ª Região PA/AP (CRP-10), no uso das atribuições que lhe conferem o art. 9º, “b” e “c” da Lei n° 5.766, de 20 de dezembro de 1971; 
 
Considerando a​ declaração da condição de transmissão pandêmica da infecção humana pelo Coronavírus, anunciada pela Organização Mundial de Saúde em 11 de março de 2020; 
 
Considerando as​ orientações da Organização Mundial de Saúde, em 18 de março de 2020, sobre a prevenção à saúde mental das pessoas devido ao estresse decorrente das situações pelo risco de contaminação pelo coronavírus;​
 
Considerando o​ necessário cumprimento das(os) psicólogas(os) ao Código de Ética Profissional, que estabelece em seus princípios fundamentais que o psicólogo trabalhará, dentre​ outras coisas, visando a eliminação de situações de negligência e,também, atuará​ com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural;
 
Considerando que​ dentre as medidas tomadas pelo governo brasileiro, através do Ministério da Saúde, constam obrigatoriedade da publicidade ostensiva sobre medidas básicas de higienização, bem como a recomendação de que sejam evitadas aglomerações de pessoas, e o incentivo à quarentena da população;
 
Considerando que,​ em diversas regiões do País, medidas de adequação dos espaços de atendimento coletivo, como escolas, universidades, comércios, unidades prisionais,
Centro de Referência de Assistência Social, Centro de Referência 
Considerando o ofício circular do Conselho Federal de Psicologia de 24 de março de 2020 que envia a Carta de Recomendações sobre Coronavírus do Conselho Federal de Psicologia que RECOMENDA a imediata​ suspensão de atividades profissionais do psicólogo na modalidade presencial em todo o território nacional, a não ser aquelas comprovadamente emergenciais;
Considerando a​ resolução CFP nº 011/2018 que regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias de informação e da comunicação e revoga a resolução CFP nº 11/2012;
 
Encaminha as seguintes RECOMENDAÇÕES as/aos Profissionais da Psicologia:
 
RECOMENDAÇÕES     SOBRE     O     ATENDIMENTO     PSICOLÓGICO     A
DEMANDA INFANTIL E DE REABILITAÇÃO NEUROLÓGICA PERANTE O
SURTO DO VÍRUS COVID-19
 
SOBRE A DEMANDA INFANTIL
 
A atuação do profissional de psicologia diretamente com a demanda infantil considera, dentre outros, dois vieses principais na sua intervenção:
  1. O contato presencial com a criança em um enquadramento específico no campo da comunicação, no qual necessariamente o profissional atua respeitando e fazendo uso dos mecanismos naturais que a infância utiliza para expressar-se. Nesta condição, como compensação de menor recurso intelectual e verbal que a criança dispõe torna-se prevalente a expressão psicomotora, as reações comportamentais aos apelos tanto internos como do ambiente, bem como apoio primordial nos objetos concretos, os quais tornam-se representantes simbólicos primordiais e evidentes. Assim, tomamos, pois, os mesmos como objetos lúdicos (brinquedos, materiais pedagógicos para arte e grafia e jogos) que viabilizam o estabelecimento de vínculo e a troca comunicativa;
  2. O contatocom os pais ou cuidadores para proceder o levantamento de dados necessários, análises, acolhimento de suas demandas e intervenção pelas devolutivas e apoios necessários sob a atenção principal a saúde mental do paciente. Neste sentido, em período que vivemos necessidade de urgente reclusão domiciliar das pessoas como estratégia principal contra o alastramento do Coronavírus, torna-se necessária remodelagem do serviço prestado pelo profissional de psicologia às crianças, sob a consideração, aqui complementada, de que, embora no aspecto desta pandemia a infância não pertença ao grupo de risco ela é percebida como portadora e transmissora potencial, hajam vistos os aspectos comportamentais e comunicativos, como já mencionados, que se retratam na maneira como a criança se porta, circula, explora e se expressa no ambiente físico limitada naturalmente em seu juízo crítico e em suas respostas físicas aos estímulos. Também são as crianças, em grande parcela, que tem contato próximo com os idosos, grupo de maior risco, pela contingência cultural dos laços familiares ou por tê-los como cuidadores diretos e indiretos.
SOBRE A DEMANDA DE REABILITAÇÃO NEUROLÓGICA (DEFICIÊNCIA MENTAL OU PSICOMOTORA, SÍNDROMES, TRANSTORNO DO
EXPECTRO AUTISTA, entre outros)
 
Em se tratando desta demanda o profissional de psicologia também atua em um contato mais corporal e tendo suporte nos objetos que servem de mediadores ou substitutos verbais no trato comunicativo e interativo com esta clientela. Em relação a mesma também há acentuada condição de manifestação física e sensorial de característica própria e não passível a supressão na tratativa terapêutica, o que se coloca como danoso e na contramão das recomendações de cuidados na prevenção do COVID-19. Qualquer uso de EPIs, previstos e indicados aos profissionais de saúde no período de prevenção e combate ao vírus, torna-se desfavorável no enquadramento clínico do atendimento desta demanda em função dos aspectos de percepção visual que possuem da imagem do terapeuta e da comunicação tátil habitual com este, modificando variáveis de controle do trabalho. Da mesma maneira, segundo observa-se nos aspectos socioculturais vigentes, uma grande parcela desta demanda tanto está próxima de grupos de risco como também, em número significativo, compõem este grupoem função de comorbidades existentes.
 
FORMAS POSSÍVEIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA A ESTAS DEMANDAS:
- Atendimento, preferencialmente,online (individual ou grupal) e/ou por celular, quando necessário ou periodicamente, aos pais ou cuidadores sobre os seguintes pontos:
  1. Orientação acerca dos cuidados com a higiene e isolamento social referentes as instruções padronizadas pela OMS;
  2. Oferecimento de informações necessárias de acesso ao serviço de saúde neste período;
  3. Orientações acerca dos cuidados com a saúde mental neste período de recomendação ao isolamento social;
  4. Estratégias terapêuticas ou reabilitadoras em domicílio;
  5. Orientações quanto a qualificação do diálogo e da relação com a criança ou paciente no período de quarentena; 
  6. Estratégias ocupacionais na rotina em domicílio;
  7. Condução em situações de crise.
- Atuaçãopresencial (apoio e orientações levando em consideração os pontos elencados acima) com a demanda, pais e cuidadores, quando necessário(condições de urgência e emergência),  resguardando os cuidados principais na prevenção (distanciamento físico, ambiente aberto ou semiaberto, número restrito de pessoas no momento deste atendimento, uso de EPIs ao profissional ou cliente nos casos previstos).
-Apoio online, por celular ou presencial, quando necessário, aos colegas da mesma categoria ou de outras áreas profissionais que atuam com esta demanda, quando o serviço se realiza em sistema multidisciplinar e/ou transdisciplinar.
 
 
 
Jureuda Duarte Guerra
Conselheira Presidenta 
CRP 10ª Região PA/AP
 

AGENDA
DO CONSELHO


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03/03/2018
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Roda de Conversa "Fevereiro de todas as cores. Saúde mental de todos os dias"
16/02/2018
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